|
O
Morro do Leme se situa na zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
Aqui
se encontram o Forte Duque de Caxias ("Forte do
Leme") e o CEP - Centro de Estudos de Pessoal, do Exército Brasileiro.
FLORA
- Possui 12 hectares de Mata Atlântica nativa - típica de
Costão Rochoso do litoral - em muito bom estado graças à utilização
restrita da área, desde o século XVIII.
Também possui mais 16 hectares de mata em reflorestamento
pelo Projeto de Conservação Ambiental.
Na sua vegetação
se destacam: coqueiros jerivá e indaiá, figueiras, ipê-amarelo,
freijó ou louro-da-mata, carrapeteira, quaresmeira,
paineira-das-pedras, bromélias, cactos e orquídeas.
|
 |
|
Foto:
P. Senna - 1999
|
|
PLANTAS
AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO - O crescimento urbano do Rio de
Janeiro vem acabando com este tipo de ecossistema nativo.
Por isso, o Morro do Leme protege várias plantas
ameaçadas de extinção, tais como: pau-brasil,
figueiras gameleira-grande e molembá, caapiá, velózia-roxa e pequiá-das-pedras.
FAUNA – A borboleta
capitão-do-mato (Morpho achilles achillaena) fuça pelas
trilhas ao redor do meio-dia. Seu azul-metálico brilha nestas horas
de sol.
Mais de 90 espécies
de aves, lá, procuram abrigo, alimento ou pouso, muitas vivendo
permanentemente no local.
Destacam-se: tiê-sangue, saí-azul, fragata, sabiás e gaviões.
Chamam a atenção: o cambaxirrão com seu canto forte, e as chocas
cuja voz parece uma risada vinda da mata.
 |
DEGRADAÇÃO AMBIENTAL -
Acompanhávamos, ano após ano, os
incêndios, colocados pelo homem e propagados através do
capim-colonião,
destruírem esta paisagem natural. Ela emoldura a Praia de
Copacabana, o Pão-de-Açúcar e o Forte Duque de Caxias -
"Forte do Leme".
Por isso, em 1987, através da Associação de Moradores e Amigos do
Leme - Amaleme, após acordo com o
Exército,
solicitamos à Prefeitura do Rio um trabalho de reflorestamento
neste sítio histórico-paisagístico.
|
Tiê-sangue
Foto:
L. C. Marigo |
|
 |
REFLORESTAMENTO -
A
Fundação Rio Parques e Jardins, acatando a reivindicação
comunitária, iniciou o trabalho em setembro de 1987. Ela foi
o alicerce imprescindível. Dava assistência técnica e enviava
equipe para as encostas desmatadas, onde removiam o capim, plantavam
árvores e faziam manutenção destas áreas trabalhadas.
O
Exército
Brasileiro deu apoio logístico e, quando solicitado, transporte
de mudas e alimentação às equipes. Hoje, guarda esta Área de
Proteção Ambiental,
que talvez seja maior que a área urbana do Leme.
|

|
A então Diretoria
de Meio Ambiente da Amaleme, gestão 1987 a 94, desenvolveu e
coordenou o Projeto de Conservação Ambiental.
Acompanhou,
passo a passo, o reflorestamento. Ajudou a Parques e Jardins no
monitoramento das áreas. E
reivindicou a continuidade do Projeto, quando das diversas
trocas de chefias nos órgãos envolvidos.
Promoveu o estudo da flora com apoio do Serviço de Ecologia
Aplicada da FEEMA e outros pesquisadores.
Promoveu o
levantamento da avifauna com apoio do Clube de Observadores de
Aves - COA.
Conseguiu o estudo das borboletas pelo
Museu
Nacional, da UFRJ.
|
NO MORRO DO LEME - O
Projeto de Reflorestamento no Morro do Leme inicialmente abrangeu 4
hectares de área degradada, unindo-os aos 12 hectares de
floresta remanescente. Lá
foram plantadas 4.700 mudas de árvores, entre nativas, frutíferas
e de rápido crescimento. Esta área custou US$ 30.000 à
Prefeitura, entre 1987 e 1992. Também foi
reflorestado o entorno da estrada do Forte, que estava circundado
por colonião, ao longo do seu trajeto
de um quilômetro.
NO MORRO
DO URUBU - O
reflorestamento do vizinho Morro do Urubu com mais uma parte
adjacente no Morro da Babilônia que pertence ao CEP, se estendeu
por outros 12 hectares, após
setembro de 1991. Ali,
houve o plantio de 12.500 mudas em 1 ano, ao custo para a
Prefeitura
de US$ 60.000.
|
MANUTENÇÃO
-
Esta área até hoje
requer manutenção, para diminuir o risco de incêndio e conservar
o trabalho realizado.
NO MORRO DA BABILÔNIA - O
trabalho de reflorestamento
do Morro da Babilõnia pelo Projeto Mutirão,
da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, entre 1996 e 98,
manteve também as áreas
já trabalhadas pelo Projeto do Morro do Leme, no morro do
Urubu e no talvegue com o morro da
Babilônia. A Cooperativa de
Reflorestadores do Babilônia - CoopBabilônia, continua
este trabalho, de forma correta, de 1998 a
2003.
Tem verba do Shopping Rio Sul , através de TAC
com a SMAC, e acompanhamento pelo Conselho Gestor das APAs dos
Morros da Babilônia e de São João, e do Leme e arredores.
|
Foto:
Terra Postcards, Manuel Terra - 2000
|
O reflorestamento do Morro da
Babilônia vem se tornando uma realidade, através da luta das
associações de moradores da área: a ALMA - da Rua
Lauro Muller, a AMOVILA - da Vila Benjamim Constant, e a
do Babilõnia. E também da ONG Grupo
Ação Ecológica - GAE.
REVEGETAÇÃO
NA ESCARPA - Em
1990, obtivemos, o apoio do Grupo Ação Ecológica e seus escaladores, para, num mutirão, recuperar outra área foco
de incêndios, na encosta rochosa oeste, voltada para a Praia do
Leme.
Este trabalho pioneiro de recomposição florística em escarpa
consiste na limpeza da área tomada pelo capim-colonião, replantio
de espécies do ecossistema, e assim protegendo de incêndio a
floresta acima remanescente.
O GAE foi contratado em
1996, pela SMAC, para nova etapa do trabalho.
 |
APA
DO MORRO DO LEME -
O
resultado positivo do reflorestamento motivou-nos a elaborar um
dossiê sobre a importância ambiental do sítio paisagístico
formado pelos Morros do Leme, do Urubu e Ilha de Cotunduba.
Assim, se solicitou em 1988 o enquadramento do local como Área de Proteção Ambiental, a qual foi instituída
pelo
Decreto Municipal n° 9.779 de 12/11/1990.
SINALIZAÇÃO ECOLÓGICA –
A SMAC desenvolveu este trabalho e instalou os tótens de
sinalização na APA do Morro do Leme, em 1996.
|
|
CEP, morro do Leme e ilha de Cotunduba.
Foto: Carlos Secchin 2001
|
|
PLANO DIRETOR –
Constituiu-se um Grupo de Trabalho para a regulamentação da APA através
de Plano Diretor, o qual foi instituído pelo Decreto Municipal
no. 14.008 de 5/7/1995.
É notória a
importância do
Projeto de Reflorestamento e Conservação
Ambiental
realizado, desde 1987, pela parceria: Sociedade civil,
Prefeitura do Rio, Exército Brasileiro e outros.
Este Projeto é um
exemplo de integração de diferentes segmentos da sociedade,
atuando na conservação de um bem histórico-paisagístico comum,
em prol da preservação das espécies e da qualidade de vida da
Cidade onde vivemos, as quais necessitam de área verde proporcional
ao tamanho de suas populações.
P.S.
10/2005 |